
Enquanto a bola continua a rolar nos relvados norte-americanos, uma pergunta começa inevitavelmente a ganhar espaço: poderá um Campeonato do Mundo transformar verdadeiramente um país? A resposta depende sempre do que acontece depois.
Durante estas semanas, Cabo Verde conquistou uma visibilidade internacional que dificilmente poderia ter sido alcançada através de qualquer campanha de promoção institucional. O nome do país entrou diariamente nas casas de milhões de pessoas, apareceu nas primeiras páginas dos principais meios de comunicação social internacionais e despertou a curiosidade de quem, até aqui, pouco ou nada sabia sobre as nossas ilhas, oferecendo uma verdadeira importância a toda esta projeção, e que não se mede apenas pela audiência televisiva ou pelo número de pesquisas na Internet.
Neste momento, este impacto passará a ser medido pela imagem que Cabo Verde está a construir perante o mundo.
Cada reportagem transmitida, cada fotografia publicada, cada entrevista concedida e cada bandeira azul nas bancadas está a contribuir para afirmar um país democrático, estável, seguro, acolhedor e capaz de competir ao mais alto nível. Num contexto internacional onde a reputação se tornou um dos maiores ativos das nações, poucos acontecimentos têm a capacidade de fortalecer uma marca-país como um Campeonato do Mundo.
É precisamente por isso que o futebol deixa de ser apenas futebol, passando a ser diplomacia, promoção económica, cultura, turismo, confiança, e uma poderosa ferramenta de desenvolvimento.
A experiência internacional demonstra que os países que conseguem transformar grandes momentos desportivos em estratégias de longo prazo são aqueles que retiram os maiores benefícios dessas conquistas.
O verdadeiro sucesso não está apenas na participação ou nos resultados alcançados em campo, passando a estar na capacidade de aproveitar a atenção do mundo para criar novas oportunidades de investimento, fortalecer o turismo, valorizar a cultura, promover a economia, apoiar a juventude e consolidar a imagem internacional do país.
Este será agora o nosso verdadeiro desafio enquanto Nação e, enquanto Fundação, acreditamos que este momento deve servir para mobilizar instituições, empresas, universidades, associações e toda a sociedade civil em torno de uma visão comum para Cabo Verde. O Mundial pode ser muito mais do que uma página memorável da nossa história desportiva, podendo tornar-se um acelerador de desenvolvimento, um ponto de encontro entre talento e oportunidade e um catalisador de novas parcerias capazes de gerar valor para o país durante muitos anos.
Ao longo desta caminhada, a Fundação Carlos Albertino Veiga teve o privilégio de acompanhar de perto a preparação da nossa Seleção e de testemunhar o profissionalismo, a dedicação e o espírito de missão de todos aqueles que contribuíram para tornar possível esta presença histórica. Essa experiência reforçou uma convicção que hoje se torna ainda mais evidente que quando existe visão, cooperação e capacidade de trabalhar em conjunto, Cabo Verde consegue competir ao nível dos melhores.
O Mundial está a mostrar ao mundo quem somos, e agora cabe-nos decidir quem queremos ser depois de as luzes desta competição se apagarem. Porque as maiores vitórias de uma Nação não terminam quando termina um jogo, elas começam precisamente nesse momento.



