
Um programa nascido em Portugal em 2018, que Cabo Verde já não vê apenas de fora
A Escola Azul é um programa de literacia oceânica coordenado pela Direção-Geral de Política do Mar (DGPM), de Portugal, lançado a 21 de fevereiro de 2018 pela então Ministra do Mar Ana Paula Vitorino, com o objetivo de aproximar as escolas do setor do mar e de transformar o conhecimento sobre o oceano em ação concreta. Hoje, quase oito anos depois, o programa certifica perto de 500 escolas em todo o território português, entre escolas públicas e privadas, tornando-se uma das maiores redes de educação oceânica da Europa.
Para ser certificada, uma escola tem de escolher um "desafio" ligado ao oceano e desenvolvê-lo ao longo de dois anos letivos, cumprindo sete requisitos: explorar uma problemática do Oceano, envolver a comunidade local, estimular os alunos a agir, intervir e decidir, cruzar diferentes áreas do saber, interagir com uma rede de parceiros, comunicar as suas ações, e integrar alunos de diferentes idades. No final, os alunos mais envolvidos tornam-se "alunos embaixadores" do projeto na sua escola.
E é aqui que a história ganha uma dimensão cabo-verdiana. A rede Escola Azul já não está confinada a Portugal continental, contando também com escolas em São Tomé e Príncipe e em Timor-Leste, e, desde novembro de 2025, com a sua primeira escola em Cabo Verde, a Escola Portuguesa de Cabo Verde - Polo do Mindelo, em São Vicente.
A cerimónia de certificação, a 6 de novembro de 2025, na véspera do Ocean Summit 2025, reuniu em Mindelo o Secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal, Eng. Salvador Malheiro, a Diretora-Geral de Política do Mar, Eng. Marisa Lameiras da Silva, o Diretor do Aquário Vasco da Gama, Comandante Nuno Leitão, o Ministra do Mar de Cabo Verde Dr. Jorge Santos e representantes do seu ministério e, em representação da Fundação Carlos Albertino Veiga, o Presidente Paulo Veiga e a Embaixadora da Fundação, Lili Caneças. A bandeira Escola Azul foi hasteada ao som dos hinos nacionais, os alunos embaixadores e a professora coordenadora receberam os seus diplomas, e a Fundação usou da palavra para reafirmar o seu compromisso com o programa em Cabo Verde.
Foi, na prática, o momento em que a Fundação Carlos Albertino Veiga assumiu, publicamente e ao lado das autoridades portuguesas e cabo-verdianas, o papel de parceira do programa Escola Azul em Cabo Verde, um compromisso que, um ano depois, já se traduz num segundo projeto, desta vez em Praia Baixo, como contamos a seguir.



