
Um só Cabo Verde, espalhado pelo mundo, um só povo unido por um amor único a uma bandeira, a um hino e a uma alma que se resume no azul e dourado.
Esta é uma ilha que não aparece em nenhum mapa de Cabo Verde e que, ainda assim, é a maior de todas, maior que muitos países, e muito maior que a sua dimensão geográfica e humana, esta é a nossa diáspora. Milhões de cabo-verdianos e seus descendentes, do outro lado do Atlântico e dos quatro cantos do Mundo, cruzaram um oceano que a nossa Fundação trabalha para proteger, e que transportam consigo um pedaço do arquipélago para onde quer que vão. Neste mês de Julho, esse pedaço sentiu-se mais forte do que nunca.
Todos conhecemos a História que foi escrita no Mundial, no entanto, a Historia que foi escrita nas ruas, nas bancadas, nos cafés e em cada casa onde se respira Cabo Verde deve ser celebrada como única, imortal e nossa.
Foi nesses olhos postos num ecrã, longe de casa, que se viu a verdadeira dimensão do que somos. Numa sala em Roterdão, numa cozinha em Boston, num café em Lisboa, o mesmo grito, o mesmo silêncio, e a mesma lágrima.
Não se chorava apenas um golo, chorava-se uma vida inteira de saudade, de sacrifício, de m ãos calejadas em trabalhos longe da terra que os viu nascer, de noites a sonhar com um cheiro a grogue e cachupa que nenhuma distância apaga. Naquele instante, todos os que partiram voltaram, ainda que só na alma.
Porque a diáspora não é ausência, é presença noutra forma. É a mãe que trabalha em turnos duplos numa fábrica na Europa para sustentar quem ficou. É o filho que nasceu longe e ainda assim carrega o crioulo na língua e o morabeza no olhar. É a onda que parte de uma praia em Santiago e, por mais que viaje, nunca deixa de pertencer ao mesmo mar. Esse mar que a nossa Fundação protege é o mesmo que liga estas dez ilhas, as nove que se veem e a décima que se sente, e que nunca, em momento algum, deixou de correr nas veias de quem partiu.
A vós, que carregais Cabo Verde nas malas, nos sotaques, nos filhos e nos corações, o nosso mais profundo e sentido obrigado. Vencemos convosco, sonhámos convosco, e é convosco que continuaremos, sempre, azul e dourado, a escrever a história desta nação sem fronteiras.



