
No mês em que celebramos a mulher cabo-verdiana, destacamos uma figura incontornável da cultura, da literatura e do pensamento nacional, Ondina Ferreira.
Escritora, intelectual e uma das vozes mais marcantes da afirmação cultural de Cabo Verde, Ondina Ferreira construiu um percurso profundamente ligado à identidade do país e à forma como nos pensamos enquanto povo. Nascida no contexto da diáspora cabo-verdiana e formada em Letras em Lisboa, a sua vida foi sempre atravessada por essa ligação entre ilhas e mundo, uma dualidade que viria a marcar de forma clara a sua obra e o seu pensamento.
Ao longo do seu percurso, destacou-se como professora, escritora e colaboradora em diversas publicações, mas também pelo papel relevante que desempenhou na vida pública, tendo sido Ministra da Cultura e da Comunicação Social durante uma década. Mais tarde, enquanto Diretora Executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, continuou a afirmar-se como uma figura central na promoção da língua, da cultura e da identidade cabo-verdiana no espaço lusófono.
A sua obra literária reflete, com profundidade e sensibilidade, temas centrais da experiência cabo-verdiana, como a diáspora, o deslocamento e a procura de melhores condições de vida, sem nunca perder de vista a ligação emocional e cultural às ilhas, em particular à Ilha do Fogo. Nos seus textos, encontramos não apenas histórias, mas também memória, identidade e reflexão sobre quem somos.
Ondina Ferreira representa uma geração que ajudou a construir Cabo Verde também através da cultura e do pensamento, afirmando a literatura como um espaço de consciência, de resistência e de projeção do país no mundo.
Celebrá-la é reconhecer o valor da cultura como pilar de desenvolvimento, mas também homenagear uma mulher que dedicou a sua vida a pensar, escrever e afirmar Cabo Verde com inteligência, sensibilidade e visão.



