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O Oceano como arena política

Global Sustainable Islands Summit não é apenas mais uma conferência internacional. É hoje um dos principais espaços globais de encontro entre líderes políticos, organizações multilaterais, investigadores e decisores estratégicos que pensam o futuro dos territórios insulares. Num contexto em que as alterações climáticas, a segurança alimentar, a energia e a geopolítica convergem no oceano, organizado pela Island Innovation, este fórum tem vindo a afirmar-se como uma plataforma crítica para redefinir prioridades, alianças e modelos de desenvolvimento.


Mais do que um espaço de debate, o GSIS está a transformar-se num ponto de inflexão. Pela primeira vez, começa a emergir uma consciência coletiva entre os territórios insulares de que a sua fragmentação histórica, geográfica e política, pode dar lugar a uma nova forma de afirmação conjunta. Uma afirmação baseada não na vulnerabilidade, mas na escala real do seu domínio oceânico, na sua posição estratégica e no seu papel central na gestão de um dos recursos mais decisivos do século XXI.


Foi neste contexto que Cabo Verde marcou presença através da presença da Fundação Carlos Albertino Veiga, numa presença que refletiu não apenas representação institucional, mas também visão estratégica. A participação de Paulo Veiga, enquanto keynote speaker e voz ativa nos principais painéis, assegurou que a intervenção cabo-verdiana articulasse pensamento político, ação institucional e projeção internacional. A este posicionamento juntou-se ainda a participação de três estudantes apoiados pelo programa Our Shared Ocean, que desempenharam um papel ativo no side event, reforçando a importância de envolver novas gerações na construção da agenda oceânica.


Esta presença conjunta, institucional, política e jovem, reforçou o posicionamento da Fundação como plataforma ativa na construção da agenda atlântica e na afirmação de Cabo Verde como ator relevante no debate global sobre o oceano.


Foi neste enquadramento que decorreu o painel sobre Governança Oceânica. Se o side event foi o espaço da visão, este foi o espaço do confronto direto de ideias, e Paulo Veiga não se furtou ao debate.


No referido painel sobre Governança Oceânica, o Presidente da Fundação trouxe ao debate uma mudança essencial: inverter o modelo. Durante demasiado tempo, as políticas para o oceano foram construídas de cima para baixo, muitas vezes sólidas no papel, mas distantes das pessoas.


A proposta é simples e transformadora, e resulta na transformação para um modelo bottom-up, onde comunidades, pescadores e atores locais deixam de ser destinatários e passam a ser parte ativa na construção das soluções. Porque, no fim, são as pessoas que vivem o oceano todos os dias, e são elas que garantem a sua sustentabilidade.


O debate foi exigente, mas sempre substantivo, e deixou uma conclusão difícil de ignorar, a que algo está a mudar. Os estados insulares começam a falar entre si com uma nova linguagem, a reconhecer interesses comuns e a perceber que, juntos, representam uma escala e um potencial que o sistema internacional ainda não incorporou plenamente.

Cabo Verde não esteve presente no Global Sustainable Islands Summit para acompanhar a discussão. Esteve para a influenciar, e, através da Fundação Carlos Albertino Veiga, cada vez mais, para a liderar.



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